02/01/2010
Relato do plantio de mudas do Projeto Carbono Emas-Taquari (por Fernando Ribeiro)

Dia 27 de janeiro foi o terceiro dia da visita de nossa equipe (eu, Artur e Mirella, conforme post anterior) no município de Mineiros, interior de Goiás, na região centro-oeste do Brasil, com o objetivo de acompanhar de perto nossos parceiros da ONG Oréades na implantação do projeto de sequestro de carbono para mitigação de mudanças climáticas, intitulado Projeto Carbono Emas-Taquari. A atividade desse 27 de janeiro foi a que mais marcou, sem dúvida nenhuma. Fui para uma fazenda com o Artur e Mirella e a equipe da Oréades para plantar um hectare de mudas nativas do Cerrado, a savana brasileira. Foi a primeira vez que plantei árvores na minha vida e devo admitir que fiquei muito contente por isso. Sem contar que foram espécies do Cerrado, bioma do qual eu sou um dos responsáveis diretos pela preservação.

Era quarta-feira quando, às 6 horas da manhã, acordo para me encontrar com o pessoal da Oréades, e irmos para o campo. Depois de quase 90 Km pela estrada, onde só se via plantações de soja, chegamos às 8h à fazenda que receberia as primeiras mudas do projeto de sequestro de carbono.  Apesar de toda a vista linda do Cerrado, eu não poderia esperar que o adubo que utilizaríamos seria esterco de peru com ovos. Sem dúvida nenhuma, o cheiro era terrível, mas a causa era nobre.
Durante o trabalho na terra, que era dividido por 12 pessoas, pensava em como eu havia chegado ali, minha trajetória profissional, pessoal e novos valores que estava adquirindo. Sem dúvida, foi uma grande experiência que, apesar de ter sido breve, me permitiu ver o quanto custa o desmatamento e as queimadas. Dizem que uma das coisas a se fazer na vida é plantar uma muda. Eu diria que uma das coisas a ser feita na vida é plantar várias mudas e, se puder escolher, que essas sejam do Cerrado.

Esgotados fisicamente pelo trabalho braçal e pelo sol que não cessou durante todo o dia, as 12 pessoas aplaudiram quando a última muda foi plantada. Missão cumprida!  Agora, podemos dizer que plantamos as árvores que, na frase do poeta libanês Khalil Gibran, serão “os poemas que a terra escreverá para o céu”.

Fernando Ribeiro é sociólogo e coordenador de socioeconomia do programa Cerrado-Pantanal, da CI-Brasil.
Material retirado do Blog da Consevation Internacional